domingo, 6 de abril de 2014

15ª Caminhada da Época 2013 / 2014 * Trilhos das Jans * Amieira do Tejo . Dia 02 de Abril




Álbuns de Fotos:
Data do Encontro: 02/04/2014
Local: Amieira do Tejo
Percurso: Trilhos das Jans - 11, 000 kms - 03: 30 Horas
Caminhantes: (35) André Correia; Angelina Martins; António Clemente; António Pimpão; António Pires; Carlos Penedo; Carmen Firme; Fortunato de Sousa; Gil Furtado; Gilberto Santos; Graça Sena; Helena Meleiro; João Costa; João Duarte; Lina Fernandes; Luís Fernandes; Luís Martins; Luísa Clemente; Lurdes Clara; Manuel Garcia; Manuel Pedro; Manuel Reis; Margarida Serôdio; Maria do Céu; Miguel Cardoso; Nela Costa; Octávio Firme; Odete Vicente; Quinita Sousa; Rogério Matias; Sérgio Cebola; Teresa Palma; Virgílio Vargas; Vítor Gonçalves; Zé Clara;
Organizador: Fortunato de Sousa
Almoço: Restaurante ‘O Túlio’ (Tel. 245.469.129)
Próxima Caminhada: 16/04/2014 – Avós e Netos (F. Sousa, L. Fernandes e V. Gonçalves)
Reportagem:
Conta a lenda que há muitos, muitos anos, nesta região da Amieira do Tejo, existiam umas mulheres invisíveis que fiavam um linho muito fino e sem nós. Mais se conta, que quem quisesse uma peça tecida por estas fadas, teria de deixar de noite o linho e um bolo de farinha de trigo a cozer na lareira. Logo que o trabalho estivesse terminado, estas mulheres desapareciam misteriosamente, não esquecendo nunca de levarem consigo o apetitoso petisco (já neste tempo era assim: criatividade a rodos para enganar o Zé Povinho).
Fadas das Jans foi o nome porque ficaram conhecidas até aos dias de hoje estas mulheres mistério, as mesmas que se conta terem tecido o vestido de linho que a rainha Santa Isabel vestia quando foi transportada já morta desde a Amieira até ao local hoje conhecido por Barca da Amieira.
Em homenagem a esta curiosa lenda, deu a C.M. de Nisa o nome de Trilhos das Jans ao percurso pedestre PR1, o mesmo que o organizador desta caminhada escolheu de entre os 8 disponíveis nesta lindíssima região do norte alentejano. O PR4 – Trilhos do Conhal, já a grande maioria dos Caminhadeiros conhece, com estórias  deveras interessantes a ele associadas. Para a história, ficará sempre no nosso imaginário outra lenda ou fábula aqui vivida por um Caminhadeiro iluminado e de criatividade sem limites, que jura ter comunicado com Javalis cor de rosa e outros listados em plena serra de S. Miguel às portas do Rodão.
Vamos agora falar da caminhada e restante programa que complementaram mais uma bonita aventura caminhadeira. De novo à beira do rio Tejo, desta vez sem lampreia e sável, mas com outros peixes do rio menos nobres, mas não menos saborosos.
Depois das nove horas da manhã, começaram a chegar ao largo do Castelo da Amieira os vários carros que transportaram os participantes na 15ª caminhada da época.  Bonita praça esta com o castelo em muito bom estado de conservação, com uma carga histórica muito interessante e classificado como Monumento Nacional desde o ano de 1922. Primeira grande surpresa para muitos dos presentes, foi a presença da Helena Meleiro, ex colega de muitos de nós e que em boa hora o V. Vargas  convidou a participar no evento. Para a Helena que se deslocou propositadamente do Porto para este efeito, o nosso obrigado e o desejo de que esta tenha sido a 1ª de muitas participações suas com o grupo (Gabi,para a próxima não desiludas a nossa amiga Helena).
A fotografia de grupo com o Castelo em pano de fundo, antecipou a apresentação dos guias António Pimpão e Sérgio Cebola, pelo organizador da caminhada. De seguida, o Sérgio deu-nos uma breve descrição  do percurso que haviamos de percorrer, tendo desde logo chamado a nossa atenção para uma descida bastante acentuada que teriamos de encontrar mais ou menos a meio do percurso. O muro de sirga com cerca de 3 kms também seria uma das dificuldades a ter em conta, porque a humidade e as ervas tornam o piso muito escorregadio.
Início da caminhada pelas ruas estreitas em calçada de pedra, uma discreta subida e por opção do organizador lá seguimos até Vila Flôr, com o Sérgio a liderar e o António Pimpão a controlar o grupo dos tartarugas lentas. Daqui seguimos em direção ao Tejo, e pelo caminho tivemos oportunidade de observar as paisagens mais bonitas do percurso. Do ponto mais alto podiamos ver o serpentear do rio Gardete e a barragem do Fratel em período de descarga. Depois foi a descida acentuada até à margem do Tejo, onde o tal corrimão colocado uns dias antes (não em corda mas em cordel fino), garantia apenas segurança aparente ou virtual. - Oh amigo Pimpão, será que a Câmara de Nisa está tão pobre que não tem dinheiro para uma corda em condições? – Senhor Fortunato, e se eu lhe disser que o dinheiro para pagar esta teve de saír do nosso bolso, você acredita? – Claro que acredito, a crise já encostou a Câmara de Nisa às cordas.
Chegados ao final da descida sãos e salvos, iniciou-se o trajecto final pelo muro de sirga. O tal muro onde o piso de pedra coberto de erva e humidade obrigava a uma permanente e redobrada atenção para ver onde colocávamos os pés e os bastões. Só a deslumbrante paisagem do rio, das quedas de água, do colorido dos campos e o som do cantar dos pássaros atenuavam a dificuldade da parte final do percurso.
Em grupos dispersos, todos fomos chegando à Barca da Amieira onde terminou a nossa etapa caminhadeira já em cima das 2 da tarde. Havia que avisar o Inácio de que o almoço teria que ser servido só lá para as 3 horas.
E já passava das 3 quando todos nos sentámos à mesa do restaurante o Túlio para saborear o queijo de Nisa e o peixe frito com salada. Depois foram servidos  a sopa de peixe com ovas e o ensopado de enguias, iguarias características desta região, que são sempre uma agradável surpresa para todos os que pela 1ª vez aqui se deslocam.
Ainda não tinhamos terminado de comer a tijelada e bebido o café, e já o nosso amigo Inácio me fazia sinal de que era hora de começar o espectáculo. Portanto, havia que criar ambiente para dar aso à inspiração e criatividade dos artistas.
O organizador apresentou o Inácio à assistência e desta vez também um acompanhante, de seu nome Ramalhete, que já de viola na mão também ansiava por mostrar aos presentes as suas qualidades artísticas. Mas antes e em nome do grupo, foi entregue ao nosso amigo Inácio um troféu dos Caminhadeiros, como agradecimento pelos momentos inesquecíveis que ele nos tem oferecido e dedicado todas as vezes que o visitamos.
Ao Sérgio e ao António Pimpão foram entregues também simbólicas lembranças, como reconhecimento pela simpatia, apoio e colaboração prestados, desde a fase de planeamento da caminhada até ao acompanhamento durante o percurso pedestre.
Finalmente entraram em cena os artistas, não só os consagrados Inácio e Ramalhete, mas também muitos amadores, alguns dos quais foram autênticas surpresas pautadas pela qualidade das suas intervencões. Exemplos: Graça Sena, André Correia, Fortunato de Sousa, António Clemente, Nela Costa, Angelina, Manuel Reis, Kinita, João Duarte (homem espectáculo) e todos os que através das suas vozes acompanharam em côro os artistas atrás mencionados.
O chá de final de dia para os que viajaram mais cedo até Lisboa ficou adiado para a próxima jornada caminhadeira, enquanto um pequeno grupo que resistiu até mais tarde, ainda se deslocou atá Nisa para aí cumprir a tradição com um chá e uma queijada.

Saudações Caminhadeiras em passada curta e saltitante de avòs e netos,

Fortunato de Sousa

4 comentários:

Miguel Cardoso disse...


Boa tarde Caminhadeiros,

Mais uma excelente caminhada junto ao Tejo que nos maravilhou com lindas paisagens.
Uma agradável surpresa as iguarias servidas no restaurante do Sr. Inácio (Túlio).
Uma tarde cultural muito animada, que me surpreendeu pela positiva com a actuação artistas consagrados (Inácio+Ramalhete) e de todos os outros amadores intervenientes.
Uma reportagem excelente do n/ Caminhadeiro-mor (F.S.).
Imagens espectaculares do n/ Fotógrafo-mor (L.M.).
Agradecimentos aos guias (Sérgio Cebola e António Pimpão) pelo apoio que nos deram durante toda a caminhada.

*escrito de acordo com antiga ortografia

Saudações Caminhadeiras,
Miguel Cardoso

Luis Fernandes disse...

Não venho comentar a bela caminhada que fizemos, nem a bela paisagem que admirámos e muito menos elogiar o repórter que escreveu a extraordinária reportagem, nem as belíssimas fotos tiradas por mestres fotógrafos, venho sim, chamar a vossa atenção para três informações importantes e que são:
1ª - A caminhadeira Graça Sena está a 3,7 kms do Bastão de Bronze.
2ª - A caminhadeira Odete Vicente está a 900 metros do Bastão de Prata.
Parabéns Caminhadeiras.
3ª - Foi publicado na VIDEOTECA a ultima obra prima do mestre realizador Caminhadeiro Sentado e que foi apresentada na caminhada de Tancos, sobre um tema bastante interessante dos nossos Caminhadeiros e que se intitula " Chapéus Há Muitos" e que demonstra que mesmo sentado, está sempre presente. Parabéns Carlos.

Saudações caminhadeiras em passada informativa.

LF

LM disse...

Parte I
Bom! É sempre difícil dizer que estamos em falta... Pois! É que não disse uma palavra acerca da caminhada anterior e, se não me despacho, corro o risco de não dizer nada sobre esta.
E considero isso uma falta de ‘savoir vivre’ com quem tão bem organizou as duas caminhadas que tiveram como fundo o nosso querido rio Tejo.
Este rio, só por si, justifica visitas amiudadas: ver as suas águas, num local tão revoltas e poderosas, noutro local tão amenas e enganadoras; ver as suas margens que ele, ao longo de milénios, foi moldando à sua ‘vontade’; ver a fauna e a flora por vezes tão característica da sua proximidade.
Mas há coisas que ele não criou, há coisas em que ele interferiu para que surgissem, pelo menos directamente.
Falando agora da caminhada anterior: quando era miúdo havia um tipo de literatura que me cativava (e se calhar a outros...) e que eram os livros de cowboys e os de aventuras para a rapaziada. Passados uns bons anitos começou a moda dos livros de aventuras baseados em mistérios de universos paralelos, de forças desconhecidas e de, sobretudo, partes da História que nunca foram esclarecidos (nem muito nem pouco, nem bem nem mal, nem havendo a certeza sequer de terem acontecido). Refiro-me àquelas estórias que recorrem aos cruzados, aos tesouros de certas Ordens religiosas, à busca do Santo Graal etc, etc e tal. Ninguém sabe nada de nada (ou quase) mas que nos fazem sonhar, fazem. É aqui que encontro lugar para o Castelo de Almourol e para toda a região próxima de Tomar. É aqui que sonho com Cavaleiros, com Tesouros, com Mouros e Donzelas feiticeiras e enfeitiçadas, em sociedades em que os maus eram maus e os bons eram bons. Não como hoje em que os bons muitas vezes são maus e em que os maus são muito piores do que parecem porque se camuflam de bons. É aqui que a imaginação voa e, felizmente por agora, não sei por quanto tempo mais... sonhar ainda não paga imposto.
Foi uma bela caminhada que, mais uma vez, teve o beneplácito do ‘S.Pedro’ – a quem agradecemos reverentemente - e em que tudo o resto foi GRANDE, mas as pessoas em convívio foram MAIORES.
Bem hajam, organizadores!
A & LM

LM disse...

Parte II
A passada caminhada, mais uma vez em ‘terras’ do rio Tejo foi para nós uma descoberta. Se da anterior já conhecíamos a região desta nada conhecíamos. E muito ganhámos em conhecê-la. Uma aldeia, perdão, uma vila com brazão de quatro torres, para nós totalmente desconhecida – nunca ouvíramos falar dela – que, além dum castelo, pequeno mas muito bem conservado, exterior e interiormente, com uma torre contendo salas de exposições, possui também casas antigas muito bem conservadas onde se encontram vestígios de arquitectura que nos levam com facilidade a tempos muito remotos... criando à nossa volta um ambiente extremamente acolhedor, porque o que vemos é lindo, está bem conservado e cuidado no dia-a-dia, e as pessoas são muito simpáticas. Sente-se o gosto de as pessoas lá viverem e de mostrarem aos visitantes o que desfrutam. Um dos pontos altos da caminhada foi a parte baixa do percurso: os três quilómetrozitos do muro de sirga que nos fez andar ao lado de águas revoltas dum lado e, doutro, tendo águas que desciam da serra ansiosas por chegar ao grande rio que é o Tejo. Já nem falo da quantidade de água que tive de pisar no muro para limpar os meus ténis e da atenção que era precisa para evitar escorregar em pedras tão lisas.
Também aqui se faz sentir o peso da História e a beleza que as suas lendas nos transmitem como veículo de memórias de quando a escrita não era conhecida mas em que o factos eram importantes para consolidar uma nação ou agregar famílias e pessoas.
É a rainha S.Isabel ou são as Fadas invisíveis... Pouco importa. É a formação de um país, de uma nacionalidade, de uma união de gentes diversas sob a orientação de uma História iniciadora e formadora.
Bem hajam, organizador e colaboradores.