quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Convocatória . 4ª Caminhada da época 2012 / 2013 . Rotas do Guincho. Dia 31 de Outubro


Convocam-se os Caminhadeiros para a 4ª caminhada da época, a realizar na  Malveira da Serra, Guincho.
O local de encontro será junto ao restaurante "O Camponês" às 09H15M, na Malveira da Serra. Coordenadas  -  N 38º 45' 11"    W 09º 26' 53"
Como de costume, devem confirmar as vossas intenções em participar através dos comentários desta convocatória atá ao final da próxima 2ª feira dia 29 de Outubro.
Saudações Caminhadeiras,
Carlos Evangelista

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Carlos Sales - A Última Caminhada - 23 de Outubro de 2012


Carlos Sales – A Última Caminhada


Disse ontem adeus à vida o nosso amigo Caminhadeiro Carlos Sales. Aquilo a que se convencionou chamar de doença prolongada foi, no seu caso, muito curta, pois  bastaram apenas 3 meses desde que lhe foi diagnosticada a malvada doença no passado dia 20 de Julho.
Antes, o comentário nº 10 da mensagem ‘Coisas de Caminhadeiro 2’, o último por ele publicado no dia 25 de Agosto, foi como que uma valente bastonada que nos deixou a todos sem palavras. Toda a solidariedade expressa pelos muitos amigos nos comentários que se lhe seguiram, as muitas conversas com ele através do telefone, as visitas ao hospital nos últimos dias e o avanço da ciência médica não foram suficientes para evitar este doloroso desfecho final.
Ainda éramos poucos Caminhadeiros, quando o Carlos Sales se juntou a nós na 3ª caminhada da época 2009 / 2010, realizada pelo Manuel Reis no Parque das Nações. Depois, a partir daí, tal como ele disse no derradeiro comentário a 25 de Agosto, nunca mais faltou a uma caminhada até ao final da época 2011 / 2012.
Era um Caminhadeiro de corpo inteiro em toda a sua abrangência, e um homem de uma enorme riqueza humana. Vamos sentir muito a falta das tertúlias em que a sua presença e as suas opiniões marcavam a diferença. Com pouco tempo ainda no grupo, e fruto dos seus privilegiados conhecimentos,  conseguiu uma visita cultural de última hora à Academia do seu Sporting, em Alcochete. Lembro-me da caminhada no ‘Valle del Jerte’, em que no 1º dia prolongámos a tertúlia pela noite dentro e ouvimos com toda a atenção as mais mirabolantes histórias de arbitragem (a sua grande paixão) por ele vividas ou presenciadas. As conversas entre ele e o Bernardino, o João Duarte, o Vitor Gonçalves e muitos outros sobre este tema eram impagáveis. Na caminhada que organizou 'Pelo Arnal da Apostiça, andou sempre muito preocupado pela chuvada que caíu e onde perdeu a máquina fotográfica com centenas de fotos no cartão de memória. Depois, no Fundão, na caminhada das cerejas também por ele e pela Bina organizada, de folhas de papel e lápis na mão, sempre preocupado  com as refeições e toda a logística inerente à organização do evento. Nos últimos tempos, os filhos tinham-lhe oferecido um cavaquinho, e andava entusismadíssimo, em fase de aprendisagem, mas com um progresso fora do comum segundo o António Henriques. A viagem de regresso a Lisboa após a caminhada no Fundão foi disso prova. Brincalhão, de passada lenta,  e a Bina sempre ao seu lado, são registos e imagens que ficarão para sempre na nossa memória.
Enfim, muito mais haveria para dizer, principalmente nesta altura, mas como muito bem dizem a Margarida, o Carlos Penedo e todos nós, o Carlos Sales, infelizmente, não vai responder às convocatórias, mas estará sempre a caminhar connosco enquanto o grupo dos Caminhadeiros existir.
Para a Bina, 'a sua chavalita', para a Tânia, para o Mauro e para o Hugo, seus filhos, que o acompanharam até ao fim com toda a dedicação e carinho que ele merecia, em nome de todo o grupo, aqui lhes deixamos um grande abraço de pesar pela perda do nosso eterno amigo Carlos Sales.
Saudações Caminhadeiras em passada muito, muito triste,

Fortunato de Sousa

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Convocatória . 4ª Caminhada da época 2012 / 2013 . Rotas do Guincho. Dia 24 de Outubro (ADIADA)


Convocam-se os Caminhadeiros para a 4ª caminhada da época, a realizar na  Malveira da Serra, Guincho.
O local de encontro será junto ao restaurante "O Camponês" às 09H15M, na Malveira da Serra. Coordenadas  -  N 38º 45' 11"    W 09º 26' 53"
Como de costume, devem confirmar as vossas intenções em participar através dos comentários desta convocatória atá ao final da próxima 2ª feira dia 22 de Outubro.
Saudações Caminhadeiras,
Carlos Evangelista

terça-feira, 16 de outubro de 2012

3ª Caminhada da Época 2012 / 2013 - Pôr do Sol na Galé - Dia 10 de Outubro




Albuns de Fotos:
Luis Martins
Manuel Reis
Carlos Evangelista
Fortunato de Sousa
Data do Encontro: 10/10/2012
Local: Grândola (Parque de Campismo da Gale)– Pôr do Sol na Galé
Percurso: 09, 000 kms - 02: 30 Horas
Caminhantes: (35) Adalberto; Angelina Martins; António Clemente; António Palma; Artemisa Fernandes; Bárbara; Bia; Carlos  Evangelista; Carlos Penedo; Carmen Firme; Fortunato Sousa; Gil Furtado; Graça Penedo;  João Martins; José Dionísio; Lúcia; Lina Fernandes; Luís Fernandes; Luís Martins; Luís Penedo; Luísa Clemente; Luísa Gonçalves; Lurdes Clara; Manuel Garcia; Manuel Pedro; Maria do Céu; Margarida Serôdio; Manuel Reis; Octávio Firme; Odete Vicente; Pedro Albuquerque; Rogério Matias; Teresa Viras; Virgílio Vargas; Vitor Gonçalves.
Só ao Jantar: (06)  Carlos Beato; Ju Beato; José Clara; José Viras; Manuela Dionísio; Otelo Oliveira.   
Organizadores: Carlos Penedo e João Martins
Jantar: Restaurante Do Parque de Campismo (Tel:)
Próxima Caminhada: 24 / 10 / 2012 – (Carlos Evangelista / Vitor Gonçalves)
Reportagem: Era a Caminhada do Pôr do Sol na Galé. E aqui, para cumprir a sua missão de rotação, lá estava a Terra a ocultar o Sol na linha do horizonte à hora prevista, como que a confirmar ao grupo de caminhadeiros presentes, que o nome escolhido pelos organizadores para a caminhada não era obra do acaso, mas sim do ‘ocaso’. Lá longe, no limite da mesma linha do horizonte, o matiz vermelho alaranjado muito vivo e brilhante do Sol a esconder-se, fazia lembrar uma enorme lareira acesa onde a água azul do mar ia lentamente apagando o fogo. Do lado de cá, sobre uma duna, o António José Clemente, qual Corcovado no Monte da Tijuca, contemplava deslumbrado o espectáculo maravilhoso que a natureza lhe oferecia de mão beijada. Os outros Caminhadeiros iam recolhendo registos fotográficos para perpetuar mais um sucesso caminhadeiro.

Quanto ao programa da caminhada, teve o seu início na bonita vila de Grândola, onde a maior parte dos participantes compareceu no sítio préviamente combinado, ou seja, em frente ao monumento ao 25 de Abril.  Daqui até ao município local, o técnico de Turismo Dr. José Pedro Pires encarregou-se de nos ir apresentando em visita guiada, os monumentos e simbolos mais importantes que ao longo dos tempos a vila de Grândola foi preservando e atribuindo mérito.

Seguiu-se o momento nobre do dia, ao sermos recebidos nas instalações da Câmara Municipal de Grândola pelo seu presidente Dr. Carlos Beato, que acompanhado pela sua esposa Ju, agradeceram e deram as boas vindas ao Grupo ‘Os Caminhadeiros’ nesta nossa 1ª visita à sede do concelho. O Carlos Penedo retribuiu os agradecimentos em nome do grupo, e  como é normal nesta ocasiões, foram trocadas prendas entre ‘Os caminhadeiros’ e a Câmara M. de Grândola. De realçar, que esta sessão nobre só foi possível acontecer, pela relação de grande amizade e já muito antiga entre o Dr. Carlos Beato e  os organizadores Carlos Penedo, João Martins e a Lucrécia (para nós a Bia).

Uma deslocação à Igreja de N. Senhora da Assunção e ao Museu de Arte Sacra completou esta interessante visita à vila de Grândola. Não podemos no entanto deixar de realçar o contributo muito importante e elucidativo, dado pelo Padre Manuel Rosário nas explicações detalhadas e muito eloquentes em todas as áreas por ele abordadas durante a visita.

Daqui partimos para o Parque de Campismo da Galé onde os restantes participantes no evento caminhadeiro já esperavam por nós. E não havia muito tempo a perder, dado que o Pôr do Sol tinha hora certa marcada e não podiamos perder esse maravilhoso espectáculo visto da praia.  Portanto, fotografia de grupo como de costume e ala que se faz tarde. Depois, foi o palmilhar areia e mais areia e mais areia até ao final do percuso. Uns com mais queixas outros com menos, o certo é que todos cumpriram os 9 kms em 02: 30 horas. Coitada da minha amiga Odete, que num esforço redobrado e com uma constipação em cima não deu parte de fraca. Já a Lua muito envergonhada nos ia iluminando quando a caminhada chegou ao fim.

Pela 1ª vez 4 novos caminhadeiros quiseram tomar o gosto ao grupo: Foram eles o nosso ex colega e amigo Virgílio Vargas, e da parte dos residentes no Parque, a Lúcia, a Bárbara e o Adalberto. A todos eles o nosso obrigado pela sua presença, e o convite para que continuem a aparecer sempre que o entenderem oportuno.

Agora faltava o jantar mais que merecido para os participantes na caminhada, e devidamente justificado para os não participantes e convidados. Tal como no ano passado, quis a administração do Parque presentear-nos com um excelente espectáculo de música popular alentejana através do já conhecido grupo ‘Falta 1’. E foi assim, que no final do repasto, aconteceu um dos mais conseguidos momentos musicais até hoje vivido pelos Caminhadeiros. As qualidades interpretativas dos vários elementos que compôem o grupo alentejano ‘Falta1’ já nós conhecíamos,  mas as surpresas que se seguiram na interpretação da nobre arte fadista, essas estavam bem escondidas da maioria dos presentes. Assim, as vozes do Carlos Beato, Fortunato de Sousa, António Candeias, Graça Penedo, Carlos Mendes e Sertório José iam acompanhando os acordes dos exímios executantes de guitarra portuguesa e de viola Luís Penedo e António Eduardo, que complementaram de modo brilhante uma verdadeira noite fadista.

Um agradecimento aos organizadores Carlos Penedo e João Martins (prendado com um troféu dos caminhadeiros), e também à Bia pela preciosa colaboração prestada em todo o processo do evento caminhadeiro.

Finalmente,  em nome dos Caminhadeiros, o nosso muito obrigado ao presidente da Câmara Municipal de Grândola, Dr. Carlos Beato, por toda a disponibilidade e colaboração prestadas durante este dia para nós memorável.

Saudações Caminhadeiras,

Fortunato de Sousa

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Convocatória . 3ª Caminhada da época 2012 / 2013 . Pôr do Sol na Galé. Dia 10 de Outubro

Estão todos os Caminhadeiros convocados para a 3ª caminhada da época, a realizar no 'Parque de Campismo da Galé'.
Como de costume, devem confirmar as vossas intenções em participar através dos comentários desta convocatória atá ao final do dia do próximo Domingo dia 7 de Outubro.
Saudações Caminhadeiras,
Fortunato de Sousa

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

2ª Caminhada da época 2012 / 2013 - Trilhos do Lizandro - Dia 26 de Setembro




Albuns de Fotografias
Luís Martins
F. Sousa
Manuel Reis
Carlos Evangelista
Data do Encontro: 26/09/2012
Local: Ericeira – Trilhos do Lizandro
Percurso: 12, 000 kms - 02: 50 Horas
Caminhantes: (33) Ana Pires; António Bernardino; Angelina Martins; António Palma; António Pires; Carlos  Evangelista; Carlos Penedo; Carmen Firme; Chico Pires; Fortunato Sousa; Gil Furtado; Graça Penedo; Graça Sena; Inácio Pires; João Duarte; José Clara; Lina Fernandes; Luís Fernandes; Luís Penedo; Luísa Gonçalves; Lurdes Clara; Manuel Garcia; Manuel Pedro; Maria do Céu; Margarida Graça; Margarida Serôdio; Manuel Reis; Octávio Firme; Odete Vicente; Pedro Albuquerque; Rogério Matias; Teresa Palma; Vitor Gonçalves.
Só ao Almoço: (01) Dr. Paulo Fernandes
Organizadores: Angelina Martins e Luís Martins
Almoço: Restaurante ‘O Caniço’ (Tel: 261.863.367)
Próxima Caminhada: 10 / 10 / 2012 – (Carlos Penedo / João Martins)
Reportagem: ‘Desculpem-nos qualquer coisinha’,  pois somos iniciados nestas lides de reportagens e afins e,  por conseguinte,  esta não vai ter a invulgar graça e o engenho do nosso habitual escrevente,  mas vamos fazer o nosso melhor.
A esta 2ª caminhada da nova época foi dado um título pomposo de “Trilhos do Lizandro” e,  toda a gente esperava que percorrêssemos as arborizadas e verdejantes margens deste rio que vai desaguar na bonita praia perto da Ericeira.
Mas “o homem põe e Deus dispõe”, e porque Deus, S.Pedro ou os senhores da meteorologia,  ou,  ainda mais,  o danado do anticiclone assim o determinou, tivemos à última da hora de alterar o percurso, dado que parte dos troços previamente planeados, se encontravam completamente impróprios para consumo, ou seja, nem para andantes sobejamente habituados a intempéries como é o caso dos nossos amigos caminhadeiros.
Assim,  e como “homem prevenido vale por três”,  tínhamos já “na manga” um “plano de emergência”, coisa que os nossos “dignos” políticos tanto falam,  mas que só nos deixam cada vez mais atolados para resolvermos a nossa situação.
A estratégia foi percorrermos o passeio pedestre de cerca de 6 km que liga a Praia da Foz do Lizandro a Ribeira d’Ilhas e regresso ao local de partida. Como começámos a caminhada atravessando um pequeno areal,  alguém já dizia que se estava a fazer a preparação para a próxima prova de fogo nos areais da Galé. Mas a restante caminhada não foi complicada,  e pelo menos com este percuro alternativo evitámos a lama que decerto encontrariamos no outro. É certo que faltaram as árvores frondosas e verdejantes,  mas tivemos todos o privilégio de gozarmos um passeio simpático,  cheio de sol e de bom tempo,  com certeza um bónus do nosso amigo S. Pedro. Estamos convencidos de que para alguns foi uma descoberta interessante,  também a comprovar o quanto “o mar é mais azul” aqui por estas bandas.
Com um dia tão bonito não foi estranho cruzarmo-nos com outros passeantes,  entre os quais uma simpática espanholita, de seu nome Sherazad - será descendente da contadora das Mil e Uma Noites ? – que,  engraçando com o nosso grupo, quis levar para terras vizinhas a recordação do nosso famoso e jovem agrupamento,  tirando fotos e conversando com alguns caminhadeiros.
Depois da caminhada,  para retemperar forças e repor nutrientes, seguiu-se o almoço, como estava previsto, com a alegria do costume,  para animar os mais tristes. Após este interlúdio sempre agradável, continuámos a tarde seguindo o nosso já conhecido Dr. Paulo Fernandes que,  desta vez,  nos veio falar de cinco das mais emblemáticas fontes da Ericeira: as fontes do Cabo, das Termas, do Casino, dos Pescadores e dos Golfinhos. Uma viagem no tempo e nas raízes da própria vila foi-nos proporcionada com este passeio ao longo de algumas das suas ruas mais pitorescas, esperando nós que estes legados que chegaram até hoje nos ultrapassem e se mantenham valorizados e estimados. Também a conversa simpática e o saber deste jovem é sempre uma mais-valia para quem o ouve,  seja em pequenos grupos como o nosso ou noutros organizados pela  CMMafra. Aqui fica o nosso agradecimento pela disponibilidade com que sempre apoia os nossos pedidos.
O nosso habitual chá foi também um momento digno de nota.  Assim, quando estávamos já na última fonte da visita,  situada perto do Mercado,  onde por acaso se situa uma pequena mas muito simpática “casinha de chá” intitulada “Aroma a Chá”,  uma das proprietárias,  ao aperceber-se que estavam a falar da fonte, dirigiu-se ao grupo com um tabuleiro com deliciosas “Fontinhas”,  o que surpreendeu toda a gente.  Como resultado,  acabou por ganhar mais uns tantos clientes que ali se deliciaram com algumas das cerca de 100 qualidades de chá existentes na loja.  Um óptimo serviço de marketing,  não haja dúvida!  Ficará no entanto para todos nós a eterna dúvida,  se o encontro das propritárias com o seu ex colega da RTP Inácio Pires foi pura casualidade,  ou combinação prévia e a todos os títulos muito bem encenada.
Não queremos deixar de terminar estas linhas sem nos regozijarmos pelo regresso a estas lides caminhadeiras do Inácio e da Ana Pires,  e dar as boas vindas à estreante Margarida Serôdio,  esperando que tenha gostado da nossa companhia.
Agora vamos terminar,  porque temos muito que treinar para a caminhada especial do pôr de Sol na Galé…
Até breve,  e “tentem ser felizes”.

Luis e Angelina Martins

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Convocatória 2ª Caminhada da época 2012 / 2013 - Trilhos do Lizandro - Dia 26 de Setembro

Convocam-se os Caminhadeiros/as para estarem presentes na 2ª caminhada da época, a que os organizadores deram o nome de 'Trilhos do Lizandro'.
A concentração terá lugar às 09:30 horas junto à Foz do Rio Lizandro.
(N 38º 56' 29,1" W09º 24' 47,7")
Os interessados em marcar presença na caminhada, devem fazê-lo através dos comentários desta mensagem, até à data e hora limite das da próxima 2ª-Feira dia 24 às 12:00 horas. Aconselha-se o uso de bastão
Saudações Caminhadeiras,
Fortunato de Sousa 

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Reportagem - 1ª caminhada época 2012 / 2013 . Parque Florestal de Monsanto - 12 de Setembro




Álbuns de fotos: 
Dores Alves
Luis Martins
Carlos Evangelista
Data do Encontro: 12/09/2012
Local: Lisboa – Parque Florestal de Monsanto
Percurso: 09, 000 kms - 02: 30 Horas
Caminhantes: (34) António Bernardino; António Dores Alves; Angelina Martins; António José Clemente; António Pires; Armando Lourenço; Carlos  Evangelista; Carlos Penedo; Carmen Firme; Chico Pires; Fortunato Sousa; Gilberto Santos; Gonçalo Garcia; Greta Statter; Guilherme Statter; João Costa; João Duarte; João Figueiredo; José Clara; Lina Fernandes; Luís Fernandes; Luísa Clemente; Luísa Gonçalves; Lurdes Clara; Manuel Garcia; Margarida Graça; Manuel Reis; Nela Costa; Octávio Firme; Odete Vicente; Pedro Albuquerque; Rogério Matias; Teresa Palma; Vitor Gonçalves.
Só ao Almoço: (01) Luís Martins
Organizadores: António Dores Alves
Almoço: Restaurante Papagaio da Serafina (Tel: 21.774.2888)
Próxima Caminhada: 26 / 09 / 2012 – (Angelina Martins / Luís Martins)
Reportagem: Pela 1ª vez na nossa já longa história de vida caminhadeira, não iniciámos a época no Alentejo. As razões porque isto acontecia eram várias (percurso plano, boa comida, lindas paisagens de final de verão, etc.), mas a principal não podia deixar de estar ligada à costela alentejana do organizador e ao mesmo tempo autor destas linhas. Aconteceu entretanto, que uma forte canícula de mais de 40º sofrida por quem esteve na herdade da Ervideira no início da época passada, convenceu os organizadores dos eventos caminhadeiros a alterarem as regras. O Parque Florestal de Monsanto às portas de Lisboa foi o local escolhido para a 1ª caminhada desta nova época, e pelo que vimos, pode o organizador António Dores estar de parabens, pois a temperatura e a frondosidade da floresta do pulmão da cidade agradaram de todo aos caminhadeiros presentes.
De qualquer modo, fica o meu compromisso de organizar uma jornada caminhadeira no antigo ‘Ramal de Mora’,  complementada com um ‘Cozido de Grão’ no restaurante do nosso amigo João na Graça do Divor.
Sobre o percurso de 8 kms da pasada 4ª-Feira, temos de registar a presença de 34 pessoas, o que, para começo das actividades não é nada mau. De salientar e saudar também os regressos às actividades caminhadeiras da Angelina Martins (que após a fractura do perónio demonstrou estar completamente restabelecida) e do Guilherme Statter, desta vez acompanhado pela sua esposa Greta. Dizia ele no final da caminhada, que a partir de agora não mais se vai  preocupar com a agenda caminhadeira, pois a sua mulher irá tomar conta dessa actividade, contagiada e entusiasmada que estava pelo ambiente aqui encontrado e vivenciado. Por outro lado a Graça Sena e o Manuel Pedro não poderam estar presentes no evento, enquanto que o Luís Martins, embora presente, também não pôde caminhar, por se ter lesionado sem gravidade no dia anterior.
Tendo sido este o 3ª percurso pedestre percorrido pelo grupo na Serra de Monsanto, algumas partes do mesmo eram para nós desconhecidas. Desta vez não encontrámos os famosos medronhos em fase de maturação, mas alguns de nós ainda tiveram oportunidade de colher e comer algumas amoras silvestres que por aqui abundam. Dos miradouros encontrados ao longo do percurso, tiveram os caminhadeiros oportunidade de contemplar Lisboa e a sua periferia de ângulos diferentes, mas todos eles a confirmarem que a beleza da cidade está nela sempre presente.
Seguiu-se o almoço no ‘Papagaio da Serafina’, integrado no mesmo espaço do Parque Florestal. O repasto servido em modo ‘Buffet’, esteve de acordo com as expectativas e serviu bem para repôr as energias perdidas durante a manhã. A meio do almoço, pediu a palavra o Caminhadeiro Mor Vitor Gonçalves, para transmitir a todos uma mensagem do nosso amigo Carlos Sales a desejar a todos uma óptima jornada caminhadeira (Para ele o nosso abraço e os desejos renovados de um pronto restabelecimento). Entre as sobremesas e o café, foram entregues pela Carmen Firme e pela Luísa Clemente, umas bonitas lembranças que trouxeram da Croácia e ofereceram a todos os presentes. Também o Carlos Evangelista nos ofereceu um ‘pin’ referente à última caminhada da época passada em Lavre. Por sua vez, foram entregues pelos Caminhadeiros Mores os Bastões de Bronze e os diplomas referentes aos 250 kms percorridos em caminhadas organizadas pelos Caminhadeiros, ao casal Carmen e Octávio Firme. Tivemos ainda oportunidade de telefonar à nossa amiga caminhadeira Graça Penedo, para cantarmos em côro os parabens por mais um aniversário que cumpriu e festejou em terras minhotas.
O passeio Cultural e o chá de fim do dia tiveram lugar neste mesmo espaço de diversões, como que a inovar a modalidade de 3 em 1. Pelo que vimos não desagradou ao colectivo, o que nos pode dar margem para avançar com a modalidade.
Saudações caminhadeiras em passada confortável de início de época,

Fortunato de Sousa

P.S. - Gostaria muito de vos garantir que esta reportagem que acabo de redigir não será passível de tributação por parte do Ministério das Finanças e do Governo vigente. Infelizmente para todos nós não sei se é isto que vai acontecer. O estatuto de Reformado/Pensionista que a maior parte de nós usufrui e tão do agrado da voracidade fiscal dos governantes em exercício a tal não deve escapar. Mormente pela simples razão de ainda respirarmos ar puro em floresta nacional e praticarmos desporto salutar ao ar livre.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Convocatória - 1ª Caminhada época 2012 / 2013 - Parque Florestal de Monsanto - Dia 12 de Setembro

Estimados Amigos/as Caminhadeiros/as,

Passada que está a época do defeso, vamos reeniciar de acordo com o planeado as nossas actividades caminhadeiras. Pela 1ª vez o início de época não vai ter lugar no Alentejo, mas sim às portas da cidade de Lisboa, no bonito 'Parque Florestal da Serra de Monsanto'.

O organizador António Dores Alves já selecionou um percurso de 8 kms, com grau de dificuldade baixo como deve ser a caminhada de começo de época.

Assim, devem os interessados em marcar presença, fazê-lo através dos comentários desta mensagem, até às 12:00 horas da próxima 2ª-Feira dia 10.

A concentração terá lugar às 09:30 horas no parque de estacionamento do 'Parque Recreativo do Alto da Serafina'. (N 38º 44' 4,69" W 9º 10' 44,41")

Saudações Caminhadeiras,

António Dores Alves / Fortunato de Sousa

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Coisas de Caminhadeiro (2)


   Olá pessoal caminhadeiro! Todos bem? Eu também! Aliás, até estou bem disposto. Tanto, que resolvi presentear-me. Comprei mais um dicionário. E mais, comprei um Houaiss. Dois volumes. Por causa do novo acordo ortográfico. O nosso amigo Gil, que parece ter vários, diz-me que é um dos bons dicionários. Acredito. Ele é perito. E para o estrear, resolvi verificar se fizeram mexidas. Numa das nossas palavras preferidas. Isso mesmo, caminhar! E tudo isto porque, escrever à revelia das convenções, pode gerar confusões. Por exemplo, se caminhar se pudesse agora, também dizer e escrever, camilhar? Vá, não antecipem piadas jocosas, pois se já fizemos muitos quilómetros, também andámos umas milhas jeitosas. Também se poderia agora dizer e escrever, caminar. O que, de certeza, não seria surpresa. Já temos uma caminhadeira a caminar. A Carmen. E se a Carmen camina, o Octávio caminha, e ambos fazem a mesma coisa, penso que há um consenso. Ou seja, também devem ter feito um acordo. Que me parece não  ter nada de ortográfico. Mas que devem ir celebrando, pelo menos, de vez em quando. Mas para não fazer mais conjeturas, vamos de caminho, ver o que diz o livrinho. Ora bem: camilista, camilo, caminha,… caminha? Substantivo feminino, diminutivo de cama? Cama? De repente fiquei com sono, e sou tentado ao abandono. Mas insisto. Caminhada, caminhador… e, finalmente, cá está! Caminhar: percorrer caminho, andar, jornadear, viajar…? Mau… Isto é que é um bom dicionário, Gil? Percorrer caminho, andar, jornadear, viajar? Então e, conviver, comer e beber, camaradagem, ver a paisagem, sentir a chuva, o frio o calor, discutir com ardor, descer e subir? E rir, amiúde, que é bom para a saúde. E até acontece, ser bom para o stress… Bolas! Que decepção! Perdão queria dizer: que deceção! Quanto ao dicionário, vou fazer a devolução. Mas as palavras são contagiantes. Folheio mais umas páginas, e já não penso como antes. Admito! Caminhar,—se calhar—é uma  excepção! Porra! Queria escrever, exceção! Ainda bem que tenho o dicionário à mão. E resolvo. Já não o devolvo! O dicionário não tem culpa. Não caminha. Só quem pratica, sabe o que caminhar significa. Uma palavra não se explica só com sinónimos. Se caminhar fosse apenas andar, bastava-me uma passadeira, para me consolar. Tenho uma. Mas é pequena, solitária, logo… precária. Embora, eu possa andar mais depressa, ou devagar, como diz o manual. Que de outras informações faz tabu. Por exemplo, se quiser parar e voltar atrás, arrisco-me a cair de cu. Penso em comprar outra. Uma coisa em bom! Vou à Decathlon. Ah! Agora sim! São inúmeras. Com uma consola, com vários comandos. E que preciso de comandar, para caminhar? Mas é larga… comprida… bonita… bem acabada… o piso é negro, como o asfalto… Aaaalto! Tive um sobressalto. Com este tamanho, e tanta vantagem, ainda lhe põem uma portagem. E perco a coragem. Não compro! Pois se eu até sei, que caminhar é mais, muito mais, do que a palavra parece significar! Caminhar é, na verdade, mais do que o ato físico, parente da mobilidade. É terapia para várias mazelas. Não tem efeitos secundários, não deixa sequelas. E faz tão bem ao corpo, como faz á alma. Tem tanto de excitante, como tem de calma. E quando se caminha em grupo, as significâncias, tal como os benefícios, multiplicam-se, tornando-se impossível refletirem-se, numa só palavra ou expressão.

Não fora assim, como explicar o crescimento de um grupo, que começou com meia dúzia apenas, e já conta com algumas dezenas? Para começar, o grupo sempre foi um corpo social saudável. E os corpos saudáveis, naturalmente, crescem. Mesmo não sendo biológicos. Mas parecem.  Porque crescem usando o convite e sugestão,— que o Afonso tão bem faz na canção,—de trazer um amigo também. E um caminhadeiro passar a dois, de dois a quatro, e assim por diante, não parece, afinal,  a mitose, no social? E por falar num Afonso, olá Irene, olá Rui e olá Carlos! Sei que não és Afonso, mas o certo, é que andas lá perto. E um obrigado também, por de vez em quando termos a sorte, de nos trazerem e levarem, à pronúncia do Norte. E deste juntar de gente, com origens geográficas, sociais e profissionais muito variadas, opções políticas, religiosas e clubísticas igualmente distintas, resulta um fervilhar de trocas de experiências, conversas sobre ciências, política e economia, desporto, engenharia, viagens e geografia. Também se fala de música, agricultura, gastronomia e, claro, de linhas férreas, comboios, estações e—já se vê—também do TGV. E nesta profusão de profissões, tendências, gostos e paixões, todos se entendem, ensinam, aprendem, e tiram conclusões. Mas estas proveitosas tertúlias, não são monótonas nem massudas, pois são regularmente entrecortadas, ou se quiserem condimentadas, com divertidos piriripororós (1). E se juntarmos a esta profícua fonte de conhecimento e informação, as regulares visitas de caráter cultural, só se pode concluir que caminhar, afinal, também é ótimo para melhorar… a cultura geral. Benefício a respeito do qual, o dicionário não dizia… nem bem, nem mal.

Segundo o meu defunto e saudoso amigo Matias, no tempo do António da Calçada,—de São Bento, para algum distraído,—o vinho dava de comer a um milhão de portugueses. Hoje, o vinho já não tem essa primazia. Perdeu-a, a favor da burocracia. Que, como decerto constatais, dá de comer a muitos, muitos mais. Ainda assim, a cultura da vinha, a produção e comercialização do vinho e a sua exportação, ainda é para muitos... o ganha pão. Mas chegar aos calcanhares da burocracia, em termos de ocupação, é coisa que dá um trabalhão. E para ajudar o vinho a reconquistar a posição, dá uma ajudinha, a restauração. E a gastronomia. Sem esquecer o turismo e a hotelaria. E ao caminhar por este país fora, usufruímos, e contribuímos ainda que modestamente, para manter vivas estas atividades económicas. Pois que seria, por exemplo, da cultura da vinha, sem os cultores do vinho? Vinho que bebemos com gosto, mas também com brio, sem desvario. E reconhecendo tudo isto, creio  que podemos dizer, sem presunção nem ousadia, que caminhar também ajuda… a economia. Coisa  que o dicionário, também não dizia.

Numa das nossas caminhadas, visitámos o Complexo Mineiro do Lousal. Participei com acrescido agrado, já que aproveitava o ensejo, para voltar ao meu Alentejo. Seduzia-me também a probabilidade de visitar a mina propriamente dita, o que não se concretizou. Desejava experimentar uma aproximação mais realista ao modo de vida penoso dos mineiros, descendo às cafurnas. E desejava fazê-lo, não por falta de imaginação para perceber o sofrimento de que tem que ganhar o pão de cada dia daquela maneira, nem para combater ou testar, qualquer manifestação claustrofóbica. Talvez fosse apenas algum empenho em aprender, a melhor apreciar o que tenho. Nesse dia, após a agradável passagem pela paisagem Alentejana, demos connosco no Armazém Central. Que agora, o que armazena é apenas, o necessário e importante, para o seu funcionamento… como restaurante. Onde comemos, bebemos e cantámos, acompanhando antigos mineiros. Confrontado com o à vontade destes cantadores e sofredores experimentados, um dos nossos cantores de circunstância, lastimou a suposta pobreza das nossas qualidades vocais. Erro de palmatória, que justificou a resposta: vale mais cantar mal, do que chorar bem! Não manifestei a minha discordância a quem fez esta afirmação, porque, que me pareceu de imediato, que o que estava a ser dito era: quem canta, fá-lo sempre bem! Há é quem ouça mal! Pois cantar não é apenas, um exercício vocal. É rir, é chorar e sentir, é espantar o mal. E ou se canta, ou não se canta. Ou se chora, ou não se chora. E só assim não pensa, a pessoa que por ingénua ou distraída, confunde com chorar, essa coisa travestida, que é a lamúria carpida, de fingimento vestida. E quanto a cantar, se alguém desafinar, e fores um homem de bem, acompanha-o, desafinando como ele também. Pois como diz a canção, “no peito do desafinado também bate um coração”. E sendo os protagonistas desta situação, gente que só teve como ofício, a privação e o sacrifício, mas que recusa chorar mal, cantando bem, percebi ao visitar o Lousal, que caminhar também contribui, para elevar a elevar a moral. A de cada um, e no geral. Fui ao dicionário, e a propósito das vantagens para a moral…nem sinal.

Caminhar é também um modo privilegiado, de pôr o corpo a falar. Mas a falar com quem? Ora vejamos: se eu tenho um corpo, e tenho uma mente, então eu sou uma trindade. Que, no que me toca, não tem nada de Santa,e  muito menos de Santíssima, mas me parece evidentíssima. Eu sou eu, o meu corpo e a minha mente. E a trindade fala desalmadamente, mas nem sempre se entende. Porque corpo e mente se comportam, frequente e alternadamente, como governo e oposição. E no meio dessa confusão, estou eu…o Chico. Mas quando se caminha corpo e mente parecem fazer uma trégua, e dão alguma folga ao Eu. E o eu vai ouvindo:—não sei se vou aguentar—diz o corpo. Ao que a mente tanto pode responder:—Aguentas sim que eu ajudo. Como também pode dizer:—Para quê tanto suadouro, a caminhares como uma lesma, para chegares ao restaurante e ficar tudo na mesma? Sou tentado a intervir com o meu dote oratório, lembrando os benefícios para o aparelho respiratório. Mas não me manifesto. Estou a caminhar, e deixo andar. E andando, outras trindades vão falando. Ainda outro dia, quando ultrapassava o meu amigo João, no seu passinho de marchante, algo dançante, e um  pouco ofegante, ouvi dele um pulmão, que à mente dizia:—pensava que deste ar já não se fazia. Como também ouço a sua mente dizer, quando o sente mais ansioso:—a seguir aquela curva, já vês o Estádio do Glorioso. Mas o João não se deixa enganar.  Está a caminhar e deixa falar. E nestes diálogos silenciosos, corpo e mente vão percebendo, o que se ganha com a atividade muscular, o exercício respiratório e cardiovascular… simplesmente a caminhar. E com muito mais eficácia, que o stock de qualquer farmácia. É pois dado adquirido, que caminhar faz bem à saúde. Virtude a que o dicionário também não alude.

 E já agora, ainda quero dizer, que sinto um contido mas imenso prazer, ao ver,—quando passamos por uma vila, uma aldeia, ou pelo breve casario dum lugar,—que para além da conversa que levamos no ar, temos por uso saudar, quem  vemos  e nos vê a caminhar. É que, cruzadas, a conversa, os bons dias boas tardes, a boa tarde bom dia, soam como uma melodia. Pois cada saudação tem um som, tem um tempo, tem um tom, tem um toque de alegria. E nesta sã cortesia, uma música acaba escrita, composta e orquestrada, na pauta que pode ser, qualquer caminho, ou estrada. E por breves momentos, tocando essa música fugaz, mas carregada de paz, que a todos parece agradar, até parecemos a banda, do Chico Buarque de Holanda, que a gente vem ver passar. E como decerto ninguém contesta, que caminhar em grupo é uma festa, depois que a música passou, ficou a satisfação em quem a tocou, e na expressão de quem nos ouviu e olhou. E não sendo jactância, ter um pouco de autoestima, de sentimento de importância, creio poder afirmar, que teria que ser cego, p’ra não ver que caminhar… faz bem ao ego. E que diz o dicionário a respeito dos benefícios p’ro ego? Nada. Nem estopa, nem prego!

Vou terminar. Mas antes, quero dizer que não sei, se escrevi verso prosado, ou se prosa versejei. Só posso reafirmar, que escrevi a pensar, ao ritmo, e nas cadências do andar. E desculpem-me alguns erros, senão mesmo alguns desmandos, pois são falhas de quem ama, falhas de quem acarinha, que me permito cometer, como quem faz uma festinha, e porque a língua portuguesa, sendo nossa… também é minha. E como não conta para o bastão, não sei quantos quilómetros são,—e me parece, que mesmo que soubesse, o Luís não dava baldas,—aqui termino mais um passeio, pelas memórias dos caminhos, dos petiscos, dos bons vinhos, e do convívio prazenteiro. Algumas das muito boas…coisas de Caminhadeiro.

Um abraço. Do Chico.

(1)Nota: Piriripororó.

Tendo sido abordado ocasionalmente por alguns caminhadeiros, no sentido de explicar o significado desta palavra, não o fiz, por falta de conhecimento suficiente, e não querer alinhar, na prática de falar de coisas que desconheço. Muito embora, tal prática, a que se deveria chamar doença, se tenha tornado epidémica, e eventualmente já seja, disciplina académica. Mas, tendo utilizado o termo anteriormente, vi-me na obrigação de esclarecer os interessados. O termo,—piriripororó—foi proferido, tanto quanto me lembro, pela primeira vez no seio dos caminhadeiros, pelo nosso companheiro Gil Furtado, no decorrer da saudosa jornada de Unhais da Serra. Se foi ele ou outrem quem o descobriu, não sei. Mas creio poder afirmar, que quem quer que tenha sido, o fez nalgum velho baú, esconso nos sótãos da imaginação. E foi exatamente aí, que iniciei a minha campanha—entre muito pó e teias de aranha—começando por separar, tudo o que tivesse qualquer coisa escrita. Feito isto, passei a analisar cada frase solta, mesmo sem nexo, e cada palavra, mesmo sem sexo. Oops! Desculpem-me. Fugiu-me a boca p’rá rima. O que eu queria dizer era: cada palavra, mesmo incompleta. A primeira que encontrei, aparentemente com sentido, mas cujo significado não entendi de imediato, dizia: “não consigo convencer a minha namorada a dar uma piripororada”. Ansioso por saber qual o real significado da expressão, revolvi cada caco e fragmento esfarrapado de que dispunha, numa investigação minuciosa, exaustiva e fastidiosa—a que o meu neto certamente chamaria, uma grande seca—para descobrir que o autor, o que queria… era dar uma queca. Esta conclusão pareceu-me correta, pois já o caminhadeiro Gil Furtado utilizara piriripororó, com a mesma conotação erótico-sexual, quando do seu relato de uma ocorrência medieval. Satisfeito e muito mais seguro, continuei. Mas, para não ser cansativo, vou passar apenas algumas, das frases e palavras que encontrei. Por exemplo: piririr, na frase, “a minha reforma não pára de piririr”; ou pororar, em: “os combustíveis estão sempre a pororar”; “ontem passei o serão na gargalhada, ouvindo uns piriripororós com muita piada”; ou, mais adiante: “passei o dia inteiro num piriri-pororó constante”. Vou ficar por aqui. Mas se continuasse, tal como eu, certamente  ficariam surpresos. Porque, todas as expressões que identifiquei, são  atuais e frequentes no nosso meio. O que me levou,—não  conhecendo a língua de origem destas palavras,—a alguma cogitação… Não terão as palavras, atravessado um portal, vindas de outra civilização, vivendo no nosso tempo, mas noutra dimensão? Naah! Eu é que ando a ver muita televisão. Outra particularidade que constatei, foi que,—sabe-se lá porquê,—partindo de uma palavra que significa basicamente um movimento de vaivém, mais afeto, por exemplo à mecânica, quase todas as significâncias, estão associadas ao gozo, ao prazer e à satisfação. Só lamento, o facto da razão desta desta conexão, ter ultrapassado a minha compreensão. Mas já que chegámos até aqui, vamos às conclusões: Piriripororó: locução, resultante de duas palavras, a saber: piriri, forma do verbo piririr, que significa: encolher, diminuir, recuar; e pororó, forma do verbo pororar, que significa: crescer, aumentar, avançar. Em função do contexto, esta palavra poderá também significar: anedota, brincadeira, movimento alternado de vaivém, momento de humor ou comédia, e… o mesmo que viagra… na idade média. Pode ainda, em contextos mais intímos, ter outros significados, que por óbvios, e não sendo vocês pacóvios, me dispenso de enumerar. Ainda assim, aproveito para exemplificar, a versatilidade e abrangência do termo, lembrando aos Caminhadeiros, que de vez em quando têm que faltar, que alguns dos benefícios, que se conseguem caminhando, também se obtêm…piriripororando. E, perguntarão vocês: piriri-pororó, escreve-se com ou sem hífen? Pois não sei, nem quero saber! E se estivessem atentos, já teriam reparado que escrevi das duas maneiras. Por isso façam como eu, e escrevam como muito bem entenderem. Ao sabor da vossa disposição, das condições climatéricas, do dia da semana… como lhes der na gana. Porque,—tal como caminhadeiro,—piriripororó, essa palavra tão versátil, abrangente e linda, não vem nos dicionários,—ainda. E mesmo que viesse? Ir ao dicionário para quê? O dicionário nem explica, o que caminhar significa! E pronto! Já escrevi, está escrito! Mas… nunca mais repito estas graças. É que o dicionário afinal… faz-me uma falta do caraças!

Sem dar por isso, já escrevi mais uns quantos disparates. Ou não. Seja como for desta  vez não peço desculpa. Em primeiro lugar porque,—modéstia à parte,—esta minha abordagem à linguística,—a verdade seja dita,— até foi muito erudita. Além disso, como disse algures atrás, a língua portuguesa sendo nossa, também é minha! E é bela! Gosto de brincar com ela. Mas por agora, acabou-se a brincadeira, ainda que também seja… coisa Caminhadeira.