Álbuns de Fotos:
Data do encontro: 26, 27 e 28/6/2026
Local do encontro: Guarda
Distância: 11 Kms
Caminhantes (50): Acilina Caneco, Amélia Pontes, Ana Bela Fernandes, Ana Cristina Umbelino, Ana Leão, Ana Paula Reis, António Dores Alves, António Palma, Carlos Evangelista, Cidália Marta, Céu Esteves, Céu Fialho, Clara Maia, Diogo Albuquerque, Estela Garcia, Fatima Libânio, Gilberto Santos, Graça Sena, Guilherme Sousa, Hélia Jorge, Irene Afonso, João Figueiredo, João Duarte, José Clara, José Godinho, José Iglesias, José Maria Alberto, Júlia Costa, Lina Fernandes, Lucio Libânio, Luís Fernandes, Luísa Gonçalves, Lurdes Clara, Luz Fialho, Margarida Graça, Margarida Lopes, Octavio Firme, Odete Vicente, Pedro Albuquerque, Raul Almeida, Rosário Mendes, Rui Afonso, Rui Graça, Socorro Amaral, Teresa Palma, Teresa Santos, Tina Rita, Tomaz Pessanha, Virgílio Vargas, Vítor Gonçalves
Não Caminhantes (5): Ana Almeida, António Bernardino, Maria Alberto, Carmen Firme e Lídia Albuquerque.
Organização: Mores
Próxima Caminhada: 16 de Setembro. Organizam: Dores Alves e Pedro Albuquerque
Reportagem:
Mais um momento especial na vida dos Caminhadeiros, um grupo de homens e mulheres, corajosos que de bastão em punho saem da zona de conforto para mais uma aventura.
A caminhada de encerramento da época 2025/26 levou-os até à Guarda, a cidade mais alta de Portugal, onde a natureza, a história e o património se unem de forma ímpar. Fundada por D. Sancho I, em 1199, para reforçar a defesa da fronteira da Beira, a Guarda conserva ainda hoje o espírito de sentinela que lhe deu o nome e uma identidade marcada pela força do granito e pela imponência da Serra da Estrela.
Conhecida como a cidade dos "cinco F", Forte, Farta, Fria, Fiel e Formosa, a Guarda convida quem a visita a percorrer as suas ruas medievais e a descobrir um património de exceção. E foi num cenário de séculos de história, onde cada rua de granito guarda memórias de reis, bispos e antigos mercadores, que os Caminhadeiros escolheram celebrar o encerramento de mais uma época. Um palco perfeito para uns dias de franco e animado convívio, descoberta e paixão pela caminhada, num encontro em que o património cultural e a beleza natural caminharam lado a lado.
No dia 26 a partida e as habituais paragens para recolha do pessoal decorreram à hora prevista. Este ano não houve atrasos. A hora de chegada a cada local foi sempre um pouco antes. E aqui um agradecimento ao motorista, o senhor João Bolinhas, que conduziu o grupo de uma forma exemplar.
A primeira paragem foi em Castelo Branco, no Restaurante "El Gringo" para a primeira daquelas refeições abundantes. E aqui a fila para a preparação do delicioso gelado foi concorrida.
A viagem prosseguiu desta vez em direção à Covilhã. E esta visita não ficaria completa sem conhecer o local que melhor preserva a memória da indústria que fez desta cidade a "capital dos lanifícios" em Portugal. O Museu de Lanifícios, instalado na antiga Real Fábrica de Panos, transportou-os até ao século XVIII, quando o Marquês de Pombal impulsionou a modernização da indústria têxtil portuguesa através da criação desta importante manufatura do Estado, fundada em 1764.
O Museu de Lanifícios preserva esse valioso património industrial. Entre antigas tinturarias, poços, fornalhas, maquinaria e documentos históricos, os visitantes podem acompanhar a evolução da produção de lã, desde os processos artesanais até à industrialização, compreendendo a enorme importância económica e social que esta atividade teve para a Covilhã e para toda a região da Serra da Estrela. Uma viagem fascinante pela história do trabalho, da inovação e da identidade beirã.
E a chegada à Guarda foi pontual. Antes das 19:30 chegaram ao Hotel Versaltil. Desde as toalhas macias até a vista panorâmica nada podia ter sido melhor. Boa escolha.
O jantar deste primeiro dia foi no Hotel com a presença de uma Lua que se preparava para ficar cheia. Alguns certamente jantaram à luz desta Lua e outros até a fotografaram.
E na manhã do dia 27, lá partiram cedinho para o ponto alto de todos estes convívios saudáveis. A caminhada que desta vez foi nos "passadiços do Mondego".
Percorrer os Passadiços do Mondego é muito mais do que fazer uma caminhada. É mergulhar na essência da natureza em estado puro. A cada passo, o som da água, o canto das aves e a imponência das formações rochosas convidam-nos a abrandar o ritmo e a apreciar a beleza que nos rodeia. Entre paisagens de cortar a respiração, miradouros deslumbrantes e a serenidade do rio Mondego, este percurso oferece uma experiência única, onde a natureza revela toda a sua autenticidade. E esta contemplação ficou bem registada pelos excelentes fotógrafos que este grupo tem. E que importância tem este registo para os que não embarcaram nesta viagem encantadora. Não foram muitos, mas eles agtadecem as fotos maravilhosas.
E à caminhada seguiu-se o belíssimo almoço no Restaurante "Cortelha da Burra", na aldeia da Mizarela. Estava tudo apaladado, mas o ensopado de borrego segundo opinião de muitos estava divinal. E durante o almoço aproveitou-se o tempo para o convívio saudável.
Entre risos e conversas chegou a hora da visita a um monumento imponente e intemporal, a Sé Catedral da Guarda que se ergue como um símbolo da história, da fé e da identidade da cidade. Só alguns dos caminhadeiros se aventuraram a ver ou rever a arquitetura majestosa, onde o gótico e o manuelino se encontram em perfeita harmonia. Foi um convite a uma viagem no tempo, revelando séculos de arte, cultura e beleza que continuam a impressionar todos os que a visitam.
A cerimonia de encerramento, começou como de costume, com os Mores a agradecer as presenças, a falar da ultima sessão do Caminhadeiro Solidário e de várias recomendações para futuras caminhadas.
Depois da Luz Fialho ter dito dois poemas e da venda da rifas, procedeu-se à entrega dos bastões e dos troféus:
Bastão de Prata - 750 Kms - Margarida Graça
Bastão de Ouro - 2.000 Kms - Rogerio Matias (não foi entregue devido à ausência do mesmo)
Troféu "1.000 Kms" - Fátima Libânio
Troféu "Para caminhar é preciso organizar" - António Palma e Rogerio Matias ao qual não foi entregue devido à ausência do mesmo.
Troféu " A caminhar pelos picos do mundo" - Céu Esteves e Pedro Albuquerque
Seguiu-se a apresentação do vídeo "Vamos Brindar" feito pelo Caminhadeiro Carlos Evangelista (Mão Tremula).
Fez-se a entrega dos quadros aos sortudos que foram sorteados, um pintado pela Socorro e outro por José Ramos (pai da Clara Maia).
O Octavio Firme, recebeu também um quadro com uma paisagem da sua terra, pintado de proposito, pela Socorro.
A Luz Fialho disse-nos mais um poema e a Socorro divertiu-nos com duas canções do seu repertório.
Finalmente, cantou-se o hino de "Os Caminhadeiros" e subimos ao Bar do Hotel onde brindamos, com espumante, a mais um encerramento. Seguiu-se o jantar.
E o dia 28 chegou com cheiro ao regresso a casa, mas aproveitando ainda para visitar o Museu do Bordado de Castelo Branco e o espólio deixado por Manuel Cargaleiro.
O Museu do Bordado preserva uma das mais belas expressões do artesanato português. Através dos seus delicados bordados, revela-se um património rico em história, criatividade e saber-fazer, onde cada ponto testemunha a paciência, a mestria e a identidade de gerações de bordadeiras.
E falar de Cargaleiro é falar de uma das maiores referências da arte contemporânea portuguesa. Mais do que pintar ou decorar superfícies, Cargaleiro procurou transmitir emoções. As suas obras convidam o observador a descobrir novos ritmos, novas harmonias e diferentes interpretações e é essa capacidade de transformar elementos simples em autênticas explosões de beleza que faz dele um dos artistas portugueses mais admirados e reconhecidos além-fronteiras.
Foi uma caminhada onde nada faltou. Esteve tudo como tinha de estar para os Caminhadeiros poderem passar por mais uma experiência. E cada um interpretou esta maravilhosa experiência à sua maneira.
Mas regressaram mais ricos pois outra experiência igual não vão ter. Pode ser diferente, mas nunca melhor.
Ana Maria Almeida
