Albuns de Fotos:
Luis Martins
Carlos Evangelista
Fortunato de Sousa
Manuel Reis
Data do Encontro: 05/12/2012
Local: Charneca da Caparica – Trilhos do Cassapo
Percurso: 10, 500 kms - 02: 30 Horas
Caminhantes: (36) André Correia;
Angelina Martins; António Bernardino; António Pires; Armando
Lourenço; Carlos Evangelista; Carlos Penedo; Dores Alves; Fortunato
Sousa; Gil Furtado; Gilberto Santos; Graça Penedo; Graça Sena; João Duarte; José
Clara; Lina Fernandes; Luís Fernandes; Luís Martins; Luísa Gonçalves; Luís
Penedo; Lurdes Clara; Manuel Flôxo; Manuel Garcia; Manuel Pedro; Maria do Céu; Manuel
Reis; Margarida Graça; Margarida Serôdio; Octávio Firme; Odete Vicente; Pedro
Albuquerque; Pedro Antunes; Rogério Matias; Teresa Palma; Virgílio Vargas; Vitor
Gonçalves.
Organizadores: Manuel Garcia
Almoço: Restaurante ‘Sabor
Mineiro’ (Tel: 212.977.362)
Próxima Caminhada: 19/ 12 / 2012 – (Luís Fernandes e Victor
Gonçalves)
Reportagem: O nosso amigo e já experiente
caminhadeiro Manuel Garcia, apostou forte e levou muito a sério a organização
desta caminhada. Era para ele a 1ª que organizava e, como em tudo na vida, a 1ª
vez tráz sempre alguma ansiedade associada ao processo. Digo isto, porque acompanhei com o Luís
Fernandes e o Victor Gonçalves todo o entusiasmo com que o Manuel Garcia viveu
a organização do evento durante os últimos 15 dias. Fizemos 2 vezes em semanas
diferentes, o percurso de reconhecimento, e no dia da caminhada, os mais de 10
kms por todos palmilhados, foram uma escolha criteriosamente por ele efectuada, de modo a que o
índice de dificuldade estivesse adaptado ao perfil genérico do grupo. O local
do almoço, visita cultural e a pastelaria para tomar o chá no final do dia, mereceram
também uma avaliação cuidada até à decisão final. Não quero com isto de modo
nenhum desmerecer o trabalho, reconhecimento, e a dedicação no
planeamento dos eventos, em que outros caminhadeiros estiveram envolvidos e resultaram também em sucesso como foi o caso deste. Apenas o
menciono, porque o vivi de perto com o organizador.
Os Trilhos do Cassapo, palmilhados pelos 36
caminhadeiros que responderam à convocatória, foram percorridos em dia
de Sol radioso. Dizia uma amiga nossa, que esta trégua, a contrastar com o mau
tempo ocorrido nas últimas semanas, foram o presente de Natal que o nosso
estimado S. Pedro pôs na botinha dos caminhadeiros. Até pode haver outras
explicações, mas tão bem fundamentada como esta é difícil de imaginar.
Quanto ao tal coelho, cassapo, caçapo, simplesmente sapo ou lá o que
seja, esse nunca mais ninguém se lembrou de o procurar. E porquê? Apenas porque
a paisagem à beira mar em manhã de Sol de Outono, com rochas sedimentares castanho
avermelhadas e matas de pinheiros verdejantes em contraste com o azul marinho
das águas atlânticas, faziam esquecer todas as preocupações relacionadas com os
tais bicharocos que davam o nome à caminhada. O Bernardino, com ar
muito sério e bem ao seu estilo, dizia que era uma pena todo este espaço enorme
de praia não poder ser aproveitado de outro modo mais estruturado. É assim este
país, continuava ele, enquanto todos os que o acompanhavam, abanavam a cabeça
em sinal de concordância com as palavras sábias do mestre.
Uma breve paragem junto ao bar ‘Cabana do Pescador’, e lá continuámos para
a 2ª parte do percurso. As barritas de cereais, água e muita fruta, são a
escolha preferida da generalidade dos caminhadeiros para repôr energias,
enquanto que o nosso amigo Manuel Flôxo, continua fiel à sua insubstituível
sandes de presunto. Em sua opinião, mais vale uma sandes de presunto ou queijo
a meio da manhã, que 1000 barritas de cereais
durante um ano inteiro. Também mais uma vez constatámos, que o nosso
renovado caminhadeiro Octávio Firme, não abdica nem por nada , de fazer parte
do grupo de lebres que normalmente toma a dianteira do grupo caminhadeiro.
Alguém dizia que esta alteração só pode ter ocorrido por uma de duas razões: Ou
comprou por um valor significativo o alvará de ‘caminhadeiro lebre’ ao
Gilberto, que agora vai sempre no grupo do meio, ou então, e esta talvez seja a
hipótese mais coerente, é que este seu surpreendente desempenho, se deve ao
facto de agora caminhar em escape livre, após um recente desarranjo da
componente gastro intestinal. Só ele o poderá confirmar, mas se o Gilberto
teimar em não integrar mais o grupo das lebres, fica confirmada a venda ou pelo
menos o trespasse temporário do alvará. O resto dos Trilhos do Cassapo até ao
ponto de chegada, que ao mesmo tempo fôra o de partida, foi percorrido em
amenas cavaqueiras entre os vários mini grupos de caminhadeiros.
O almoço de ‘Rodízio Mineiro’, esteve de acordo com o que tinha sido
acordado entre o organizador Manuel Garcia e a direcção do restaurante. E também
desta vez, repetindo o que se vem tornando hábito, graças à simpatia e à
generosidade de muitos caminhadeiros e caminhadeiras, quiseram os manos Odete e
Manuel Garcia, surpreender os presentes com lembranças deveras interessantes,
respectivamente pintadas e confeccionadas por eles. O Manuel, presenteou-nos
com uma caixa de azeitonas da Charneca, produto da sua colheita particular, por
ele embaladas, e onde nem sequer faltou a etiqueta personalizada com o logo dos
caminhadeiros. A mana Odete, cuja faceta de dedicação à arte da pintura é de
todos bem conhecida, trouxe-nos desta vez, uns lindíssimos azulejos em forma
rectangular, todos diferentes uns dos outros e também com o logo dos
caminhadeiros colado na parte de trás.
Desta vez o passeio cultural constou de uma visita muito interessante ao ‘Moinho
de Marés de Corroios’. Muitos dos caminhadeiros presentes, decerto já tinham
tido oportunidade de visitar este moinho, cuja fonte de energia para o pôr a
funcionar reside na água da maré quando em baixa. No entanto, o que de diferente
esta visita teve, para além de outras interessantes particularidades, foi o
talento de um homem chamado José Meias, nada menos que o guia do moinho de há
uns anos a esta parte. Possui uma vocação nata virada para a função que
desempenha. O modo muito expressivo como explica todo o princípio de
funcionamento do moinho, a alegria que demonstra e o saber acumulado associado à
carga histórica deste tipo de construções, são prova mais que evidente de que o
Sr. José Meias é o homem certo no lugar certo. Não posso deixar de mencionar duas
passagens da visita guiada, que pela invulgaridade das mesmas deixaram o
pessoal caminhadeiro surpreendido. A primeira, é o desempenho de uma ave
denominada ‘maçarico de bico direito’, que percorre a distância entre Portugal
e a Islândia em apenas dois dias; A segunda, consta de um tipo de ‘farinha de
biscoito’ que aqui era produzida e, cujo nome biscoito em latim, deriva de bis:
dois ou a dobrar e, coito: cozedura. Cada um tire as ilações que quiser acerca da segunda metade do vocábulo, mas esta poucos a sabiam ou, na melhor das
hipóteses, apenas o senador Gil Furtado ou o compêndio ambulante António Bernardino poderão estar a este nível de conhecimento.
E foi assim, que terminámos a visita ao moinho de marés, na dúvida se situados
na mó de cima ou na de baixo. Isto, porque tivemos oportunidade de assistir a um
invulgar espectáculo de dança ou de arte corporal, exibido por uma instituição
de alunos com um tipo de vida muito
diferente daquilo a que estamos habituados a vêr, mas onde a solidariedade, a
entrega a causas nobres e a felicidade daí resultante, são vividas do mesmo
modo como se eles não existissem.
Agora só faltava o famoso chá de final de dia. E aqui, também tudo estava
devidamente planeado. Os aniversariantes Lina Fernandes, Armando, Odete, Zé
Clara e Manuel Reis, tiveram honras de bolo de aniversário e cantoria de parabéns
a você pelo grupo presente em uníssono. Da América Latina, recebemos mesmo em
cima do acontecimento, uma chamada telefónica do Daniel Clara, filho da Lurdes
e do Zé, que sabendo do acontecimento, não quis, mesmo de longe, deixar de se associar à
festa. E antes do abraço de despedida, confidenciou-me em surdina: As garrafas de espumante 'Raposeira' com que vão brindar, foram oferta minha e enviadas hoje mesmo aqui do Perú.
Lá fora, à porta da pastelaria, uma figura do Pai Natal com ar triste e desiludido, de bastão branco na mão e sem o tradicional saco das prendas, olhava em frente fixamente, tentando perceber porque é que neste Natal as pessoas andam também tão tristes. Alguns caminhadeiros e caminhadeiras ainda tentaram consolá-lo, posando ao seu lado para uma fotografia e pedindo-lhe ao menos um leve sorriso. Nem isso conseguiram..
Saudações Caminhadeiras em passada pré natalícia,
Fortunato de Sousa