terça-feira, 25 de abril de 2023

* * * * * 1ª Caminhada Extraordinárias da Época 2022/23 * * * * ______________ "Sempre a ver o Mar" _______________ * * * * * * * Lagos. Dias 21, 22 e 23 de Abril de 2023 * * * * * * *

 
Álbuns de fotos:
Acilina Caneco
Graça Raposo
Carlos Evangelista
Data do encontro:
 21, 22 e 23 de Abril de 2023
Local: Lagos
Percurso: Parte da Trilha dos Pescadores
Distância: 7Km
Participantes: Acilina Caneco, Amaro Raposo, Ana Bela Fernandes, Ana Paula Reis, Carlos Evangelista, Carlos Penedo, Ceu Fialho, Clara Maia, Conceição Dias, Cristina Umbelino, Estela Garcia, Gilberto Santos, Graça Raposo, Graça Sena, João Duque, José Clara, José Iglésias, José Raposo, Júlia Costa, Lina Fernandes, Luís Fernandes, Luísa Gonçalves, Lurdes Barbosa, Lurdes Clara, Luz Fialho, Manuel Garcia, Rogério Matias, Rosário Mendes, Socorro Amaral, Teresa Santos, Tina Rita e Vítor Gonçalves
Não Caminharam: Fernando Bernardino, Isabel Duque, José Teixeira e Manuel Barbosa
Novos Participantes: João Duque
Organizadores: Acilina Caneco e Manuel Barbosa, com a colaboração de Luís Fernandes e Vítor Gonçalves
Refeições: "O Corticeiro" (Canal Caveira), "Prato Cheio" (Lagos), "Sete Mares" (Lagos), "O Cangalho" (Medronhal) e "O Castelo" (Monchique)
Próxima caminhada: 3/05/2023 - Matacães. Organiza Rogério Matias
Reportagem:

Sexta-feira, 21 de Abril

Depois de recolher todos os participantes, nas várias paragens (Biblioteca de São Domingos de Rana, Alameda António Sérgio em Linda-a-Velha, 2ª Circular, Campo Grande e Portela) saímos de Lisboa, pela Ponte Vasco da Gama, pelas 11h. Durante o trajeto recebemos mais um belo pin, alusivo a esta caminhada, desenhado como habitualmente, pelo António Palma.

Às 12:20h já estávamos no Canal Caveira. Almoçámos no Restaurante O Corticeiro, um saboroso cozido ou/e choco frito, depois das entradinhas, queijos, enchidos e salgadinhos. Na sobremesa uns optaram por salada de frutas, outros por mousse de chocolate ou arroz doce.

Fomos para o autocarro passavam poucos minutos das 14:30h e só depois começou a chover. O S. Pedro estava a ser simpático!

Entre umas ricas sonecas, cântico colectivo de parabéns com gravação de vídeo, e mais cantorias, passou-se o resto da viagem até Lagos.

Chovia quando nos instalámos na magnífica esplanada da Messe. Mesmo assim, algumas de nós fomos passear pela cidade. Claro que regressámos completamente encharcadas. O jantar no restaurante Prato Cheio foi lulinhas fritas à algarvia e mista de carnes grelhadas.

Sábado, 22 de Abril

Este dia amanheceu bem soalheiro e luminoso. O pequeno almoço na cafetaria/esplanada da Messe de Lagos é sempre um regalo para a vista.

Às 9:30 h estávamos no autocarro que nos levou ao local de início da caminhada, no Porto de Mós, no beco da Travessa do Canavial, onde começam os passadiços de madeira. Foi uma caminhada muito fácil, sempre a ver o mar, passando pela praia do Canavial, mais à frente a Ponta da Piedade, onde nos demorámos um pouco a ver as formações rochosas, como a rocha do sapato. A seguir, a Praia do Camilo e a praia da D. Ana. Contornando a Iberlagos, fomos até à Estrada 125, sem passar pela Praia do Pinhão. Bem… nem todos! O intrépido Vítor Gonçalves, contrariando os avisos de que a arriba estava bastante desgastada e era perigosa, foi e levou a Luísa. Afinal parece que a arriba até já tinha sido reparada! Felizmente! Na 125 virámos à direita e descemos em direção ao centro de Lagos. Ainda a ver o mar, chegámos à Praça do Infante, onde está a Igreja de Santa Maria e a estátua do Infante D. Henrique. Aí esperámos um pouco para reunir o grupo e continuámos pela Travessa do Mar até à Rua Silva Lopes. Passámos pela Igreja de Santo António e pelo Centro Cultural. Seguindo pela Rua Lançarote de Freitas, chegámos à Praça D’Armas. Daqui avistou-se o local de nascimento desta narradora, na rua Cardeal Neto, assim como a sua antiga escola primária, agora sede da Orquestra Filarmónica de Lagos. Passámos sob o arco da muralha e fomos pela Estrada da Ponta da Piedade. O calor e uma ligeira subida dificultaram um pouco a última parte do percurso. Mas às 12:23h já estávamos no Restaurante Sete Mares, onde almoçámos. Numa bela zona recatada do restaurante esperava-nos uma mesa em U com as entradas. O almoço foi buffet. Todos gostaram. A seguir fomos de autocarro para Sagres.

Aí fizemos uma visita livre, sem guia. Cada um escolheu o que visitar.

No novo Centro Expositivo, Instalação Museográfica no Promontório de Sagres, pudemos observar uma exposição multimédia, relacionada com os descobrimentos portugueses e tivemos a oportunidade de ver objetos mais antigos, como mapas da expansão portuguesa ou até artefactos ligados à escravatura. No andar superior pode ver-se uma exposição de Manuel Baptista, intitulada Territórios Invisíveis, onde são exibidos 14 trabalhos de pintura e desenho, de várias fases do artista, desde 1997 a 2017. A porta do Centro Expositivo foi a entrada principal da Fortaleza de Sagres desde 1793 até 1959. Pesa duas toneladas e esteve guardada pelo empreiteiro que em 1959 fez obras nesta fortaleza.

A fortaleza remonta ao século XV, mandada edificar pelo Infante D. Henrique para defesa estratégica do território nacional. Neste local, podemos ainda visitar a Igreja de Nossa Senhora da Graça, dedicada a Santa Maria e a Rosa dos Ventos. A Fortaleza de Sagres consta, desde 2015, da lista da União Europeia de sítios classificados como Património Europeu.

A seguir fomos ver o Cabo de S. Vicente. O local oferece vistas panorâmicas de tirar a respiração. Terá sido por isso que os romanos lhe chamavam “Promontorium Sacrum”. Aqui foi encontrado o corpo do Mártir São Vicente. No século IV, Vicente foi torturado e morto pelos romanos. Os cristãos levaram o seu corpo para Valência, mas com a chegada dos muçulmanos (século VII) recolocaram os seus ossos em Sagres. D. Afonso Henriques, após conquistar Lisboa (século XII), procurou e encontrou os ossos de São Vicente (na altura em território mouro) que trouxe para a Sé de Lisboa.

Nestes rochedos concentra-se muita vida marinha, incluindo raras aves como águias de Bonelli, cegonhas, garças brancas, papagaios e pombas rocha. Na primavera e início do verão, há tordos e outros peregrinos que nidificam nas falésias.

D. Fernando, filho mais novo do rei D. João I e, portanto, irmão dos infantes D. Henrique, D. Pedro e D. Duarte,  ficou como refém após o cerco do exército português que desembarcou em Marrocos com o objetivo de tomar a cidade de Tânger, em 1436. Os marroquinos permitiram que os portugueses reembarcassem, mas com a condição de devolver Ceuta, que tinha sido tomada em 1415. Essa condição nunca foi satisfeita e D. Fernando acabou por morrer na prisão em Fez, a 5 de junho de 1443.  Há quem afirme que Ceuta era uma posição demasiado importante para ser perdida e quem acuse o rei D. Duarte e o Infante D. Henrique de frieza e de indecisão. Após a sua cruzada pessoal, no Norte de África, que resulta na morte de D. Fernando, o Infante viveu no Algarve, de 1440 até ao fim da vida, uma vida muito recolhida, talvez com remorsos pelo abandono do seu irmão mais novo. Viveu em vários lugares: Vila do Bispo, Raposeira, Lagos. A história do Mártir São Vicente era muito popular na altura do Infante, e não lhe deve ter escapado as semelhanças com o fim do seu irmão mais novo Fernando. Hoje em dia há um farol, ladeado por ruínas do Convento dos Capuchinhos do século XVI.

Regressámos a Lagos a tempo de uma breve visita ao centro histórico e compras para algumas caminhadeiras. Preparação e partida, de autocarro para Barão de S. João, onde nos aguardava um festivo jantar no Restaurante O Cangalho Zoo. Foi distribuído a cada participante um presentinho constituído por um pequeno frasco de mel, da região de Lagos e um bolinho de massapão (massa de amêndoa, típica do Algarve) com a forma dum caminhadeiro sentado/cansado. Além da flamejante entrada, tivemos 2 pratos principais, tudo acompanhado por música ao vivo a cargo de Carlos Agapito. No final do repasto dançou-se! Desde o tango à valsa, passando pelo rock, foi uma animada e descontraída noite.

Domingo, 23 de Abril

Já com as malas no autocarro despedimo-nos da Messe de Lagos e rumámos a Silves. Aí aguardava-nos o Fábio Costa, arqueólogo/historiador da Câmara de Silves, que com notável entusiasmo e desenvoltura nos foi explicando alguns factos relativos ao Castelo e Museu de Silves.

O Castelo forma um polígono irregular, rodeado por uma forte muralha em taipa, revestida a arenito vermelho – o grés de Silves, e ocupa uma área total de cerca de 12.000m2. Logo à entrada temos uma escultura em bronze representativa do rei D. Sancho I, monarca que em 1189 conquistou pela primeira vez, com o auxílio dos Cruzados, a cidade de Silves aos árabes.

O conjunto das estruturas defensivas de Silves era constituído por dois elementos: uma muralha exterior que protegia parte da cidade, formando uma medina, e a fortaleza no seu interior, conhecida como alcáçova, situada no ponto mais elevado da colina. A alcáçova é a maior estrutura deste tipo no Algarve, e um dos mais importantes monumentos na região, sendo também considerado como o mais belo exemplo da arquitetura militar islâmica no país.

As defesas exteriores foram construídas logo nos primeiros anos da ocupação islâmica, no século VIII, nos primeiros anos do domínio muçulmano, tendo atingido o seu auge no século XI, quando Silves se tornou na capital de uma taifa, um tipo de reino autónomo. A alcáçova, normalmente habitada pelos mais ilustres da cidade, foi provavelmente construída muito depois, durante o califado almóada (1121-1269). A partir daqui Silves entrou em declínio, devido em parte ao assoreamento do Rio Arade.

Na área da alcáçova e das muralhas da cidade foi descoberto um rico conjunto de materiais. O espólio inclui peças de cerâmica, como recipientes cerâmicos, produzidas tanto a nível local como regional, além de vidradas e esmaltadas. Também foram recolhidas peças metálicas, como moedas, além de vários artefactos de função militar, como pontas de flecha e virotes de besta. Estas peças estão no Museu Municipal de Arqueologia de Silves que visitámos. O museu, inaugurado em 1990, foi construído em torno do Poço-Cisterna Almóada dos séculos XII-XIII – descoberto após escavações arqueológicas decorridas nos anos 80 do séc. XX e hoje classificado como Monumento Nacional. O acervo do Museu reúne um conjunto de objetos do Paleolítico, os mais antigos, passando pelo Neolítico, pelo Calcolítico, pela Idade do Bronze, pela Idade do Ferro, pelo Período Romano e destacam-se, não só pela quantidade, mas também pela qualidade e exceção, as peças do Período Medieval, com destaque para o Período Muçulmano – Omíada, Califal, Taifa, Almorávida e Almóada, desde o século VIII ao século XIII, na sua maior parte do período Almóada, dos séculos XII-XIII.

Dividida em oito núcleos temáticos, a coleção, que testemunha oito mil anos de vivência humana em Silves, foi-nos apresentada cronologicamente pelo nosso guia.

Passava pouco das 12h quando nos dirigimos para o autocarro, estacionado na zona ribeirinha, para irmos almoçar. No caminho podemos maravilhar-nos com a beleza dum grupo de cegonhas calmamente a debicar o fundo do rio Arade, mesmo à beira de esplanadas na rua principal de Silves. Foi na Serra de Monchique, no restaurante O Castelo, que decorreu o nosso último repasto em terras algarvias. Nas entradas destacou-se o xarém (papas de milho) a acompanhar o frigineco. Várias tartes algarvias à base de alfarroba, amêndoa ou figo, contentaram os mais gulosos. Bem reconfortados saímos pelas 15:15h e sempre numa boa velocidade e sem paragens, chegámos à margem direita do Tejo, pela Ponte Vasco da Gama, às 18:10h. Aí pudemos avistar os progressos da construção do Altar-palco e zonas adjacentes para a próxima Jornada Mundial da Juventude a realizar em agosto em Lisboa.

Os organizadores estão desvanecidos e agradecem a todos os participantes por terem gostado, por espalharem boa disposição e companheirismo, tornando tão agradável este fim de semana.

Acilina Caneco

1 comentário:

M.Luz disse...

Mais uma vez, muito obrigada por esta tão bem organizada caminhada extraordinária.
Agradecimentos também a todos os participantes, pelo companheirismo e boa disposição que reinaram durante este belo fim de semana!
Bem hajam!